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A ressurreição de Andy Kaufman

Andy Kaufman (1949-1984) é mais conhecido pelas novas gerações como o infame comediante interpretado por Jim Carrey no filme "O Mundo de Andy" (Man on the Moon/99), de Milos Forman. Kaufman começou a carreira em espeluncas americanas fazendo seus números de "stand-up comedy" e acabou parando na TV, onde viveu o personagem Latka, no seriado dos anos 70, "Taxi". Esse sitcom é (foi) exibido no Brasil pelo canal Multishow.

O objetivo de Kaufman, para quem não viu o filme, era dar ao público algo inesperado, que tivesse um valor de choque e testasse as possibilidades da arte. O comediante criou personagens - como o crooner decadente Tony Clifton - que existiam além das telas de TV e dos palcos de teatros ou restaurantes. Com a ajuda de seu comparsa Bob Zmuda, Andy tapeava o público, seus colegas de trabalho e produtores de TV, que acreditavam não apenas na existência de Tony Clifton (!), mas também na veracidade de seus escândalos, as incursões no mundo da luta-livre pastelão e outras excentricidades. Kaufman pretendia reinventar a idéia do "entertainer" e subverter as regras estabelecidas.

"O Mundo de Andy" é uma carinhosa homenagem de Milos Forman que resgata o espírito indomável do comediante. O tema, aliás, é recorrente na filmografia de Forman, que já havia retratado um presidiário que anarquiza o sistema psiquiátrico ("Um Estranho no Ninho") e a luta do irreverente dono da revista Hustler pela liberdade de expressão nos EUA ("O Povo Contra Larry Flynt"). A música-tema de "O Mundo de Andy" foi retirada do álbum "Automatic for the People", do R.E.M, e é outra bela homenagem ao legado de Kaufman.

Pois bem, no mês em que se completam 20 anos do falecimento do comediante, o portal Yahoo publicou uma nota da assessoria de imprensa MediaWire afirmando que, como seu último grande e absurdo golpe, Kaufman teria forjado a própria morte e estaria vivendo com um nome falso em Nova York (clique AQUI para ler original).

O artista, antes de sucumbir a um câncer de pulmão, afirmou que, fosse aquela uma de suas piadas de mau gosto, ele retornaria aos palcos dali a 20 anos para revelá-la ao grande público. As duas décadas se passaram e Kaufman estaria hoje com 55 anos, gozando de ótima saúde. Sua família, incerta sobre a autenticidade da notícia, solicitou à empresa de auditoria Ernst & Young que a realizasse exames de DNA no suposto Andy Kaufman e, nesse momento, as possibilidades de que este seja mesmo o lendário comediante são de 99%.

Apesar de estar tecnicamente de volta à ativa, Andy diz que pretende manter o estilo de vida discreto que se iniciou em 16 de maio de 1984, quando forjou a morte. Além de retomar contato com amigos e familiares, Kaufman deseja apenas executar performances em locais públicos - como as redes Wal-Mart e Starbucks Coffee - onde as pessoas não saberão se ele é, de fato, o famoso artista que interpretou Latka e tantos outros personagens. Como de costume, Andy faz do mundo o seu verdadeiro palco.

Para manter os fãs informados sobre suas atividades, Kaufman publicou um site na internet: www.andykaufmanreturns.blogspot.com.

Para quem entende inglês, vale a pena uma visita à página. O visitante poderá formar uma opinião sobre a "ressurreição" do comediante ou, quem sabe, concluir que este é apenas um truque de fã (mas que deve ter feito o verdadeiro Andy rolar de rir aonde estiver)...



 Escrito por Mr Eddy às 17h59
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Política punk...



Fat Mike é integrante da popular banda de punk rock/hardcore melódico NOFX. O cara é também um bem sucedido empresário do ramo musical independente, tendo fundado o selo Fat Wreck Chords, que tem em seu cast bandas badaladas no meio punk como Anti-Flag, Propagandhi, Avail e Swingin' Utters.

Mike também é um declarado opositor da administração Bush e, por esse motivo, resolveu fundar uma entidade chamada Punk Voter, que visa conscientizar os jovens americanos a votar, já que, nos States, o voto é facultativo. Além desse órgão, Fat Mike lançou, através da Fat Wreck, uma coletânea intitulada "Rock Against Bush". O disquinho traz trocentas bandas que compactuam sua visão em relação ao regime nefasto do atual presidente americano, entre elas: Social Distortion, Offspring, Alkaline Trio, Ministry, Jello Biafra & D.O.A. e Pennywise.

O Propagandhi, um dos grupos mais respeitados da Fat Wreck, participaria da compilação com uma música, porém, uma menção ao grande agiota e especulador internacional George Soros, criou uma tremenda saia justa para Fat Mike.

Soros, que tornou-se bilionário ao zonear a economia de diversos países e se envolver, entre outras coisas, no comércio de armas, resolveu financiar um punhado de ONGs de esquerda nos EUA. Há cerca de 2 anos ele escreveu um livro onde, supostamente, se dizia arrependido de seus métodos de enriquecimento e o efeito disso na economia do Terceiro Mundo.

O que causou embaraço a Fat Mike foi uma frase irônica do Propagandhi em suas observações no encarte do CD: "this message not brought to you by George Soros". A questão é que uma certa ONG, chamada MoveOn, enviaria um spam para nada menos que três milhões de pessoas cadastradas, recomendando que comprassem o CD "Rock Against Bush" e essa mesma organização tem como principal benemérito, ninguém menos que George Soros. Fat Mike declarou que não queria atritos com a MoveOn e quaisquer outras organizações que recebem incentivos do magnata. O dono da Fat Wreck afirmou que o apoio da MoveOn poderia impulsionar as vendas e até levar a coletânea ao topo da parada independente, o que, segundo ele, teria uma grande repercussão política nos Estados Unidos.

Fat Mike pediu então que o Propagandhi excluísse a frase dos "liner notes" do CD, mas a banda se negou a fazê-lo. A segunda opção seria incluir a música apenas no volume 2 de "Rock Against Bush", para minimizar um possível atrito com as ONGs que estariam apoiando o projeto. Nada feito. O Propagandhi preferiu ter a música excluída da coletânea e deu sua versão dos fatos no site oficial: "Quando nos convidarem a participar de algum projeto semelhante, vou perguntar em quais termos seremos envolvidos"... Mike evitou polemizar e disse que, ao sugerir que o grupo participasse do volume 2 da compilação anti-Bush, estava demonstrando que a Fat Wreck é uma gravadora democrática. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Sem conhecer os meandros dessa relação estranha entre Soros e as organizações de esquerda, incomoda o fato que o microcosmo punk caia nas mesmas armadilhas que vigiam, por exemplo, a liberdade de imprensa, onde conglomerados de comunicação são muitas vezes reféns de políticos, patrocinadores e acionistas. Ainda que as intenções de Fat Mike sejam as melhores, certas concessões causa um tremendo mal estar.

 Escrito por Mr Eddy às 17h48
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